Nº.61 UNIVERSO Dez 2016 | Jan 2017

3/2/17

1 INTRODUÇÃO

A Pré-UNIVESP é uma publicação eletrônica, mensal e temática, com um dossiê baseado em temas factuais e conteúdos distribuídos pela grade curricular do ensino médio e dos vestibulares. São reportagens, artigos, infográficos, entrevistas, além de um blog com textos sobre temas diversos. Nosso principal objetivo é oferecer um conteúdo relevante e em linguagem acessível, que trata de assuntos de interesse dos principais vestibulares do país (inclusive o da UNIVESP), dirigido a estudantes, a professores do ensino médio e a vestibulandos.

Dentro do plano de reformulação editorial da revista Pré-UNIVESP, concebemos a publicação mensal de um plano de atividades interdisciplinares. Voltado para o uso pedagógico no ensino médio, ele contempla os conteúdos da revista.

Para a produção desses planos, contamos com a assessoria de professores de diversas áreas do ensino médio. Eles serão publicados sempre na última semana do mês, no fechamento de cada número. Esperamos que o trabalho escolar promova reflexão e aprofundamento sobre os temas tratados, por meio da ação mediadora do professor, sem prescindir de outros materiais fundamentalmente didáticos e das conexões entre as diversas áreas do conhecimento.

Nosso objetivo é incentivar o professor do ensino médio a utilizar a revista Pré-UNIVESP nas atividades escolares da sala de aula. Nesse sentido, foi elaborada uma série de workshops de sensibilização de alunos e professores do ensino médio para uma aproximação com a proposta da Pré-Univesp e a realidade da sala de aula e como forma de avaliar alguns dos planos de aula desenvolvidos.

Esses workshops traduziram-se em oficinas em sala de aula onde as atividades propostas de um plano de aula específico eram testadas e discutidas diretamente com seu público-alvo: alunos e professores.

Um dos planos selecionados para essas oficinas foi o elaborado para a edição 47 da revista Pré-Univesp, publicado em maio de 2015 e que teve como tema o Ano Internacional da Luz. A oficina foi realizada em novembro de 2016, com foco.

Esta oficina teve o objetivo geral de trabalhar alguns textos da revista de forma multidisciplinar, a fim de promover a ampliação do universo cultural dos estudantes e professores e de proporcionar a esses últimos a possibilidade de um trabalho integrado, possibilitando que as diferentes áreas do conhecimento estabelecessem relações a partir do enfoque que dariam sobre o mesmo assunto, que no caso foi “Luz”.

Antes do encontro, solicitou-se a um grupo de oito professores que realizassem o teste de Icic (Índice de Consumo de Informação Científica). Dos oito participantes, cinco apresentaram índice de consumo alto; dois deles, médio-alto e, apenas um, médio-baixo. Depois do teste, foi feito o convite para que os docentes participassem da oficina. Quatro professores aceitaram o convite e tiveram como resultado um índice alto de consumo de informação científica.

A proposta inicial da oficina foi explorar pedagogicamente alguns textos verbais, não verbais e mistos da Pré-Univesp, desde a estrutura do gênero, veículo e suporte, passando pela análise das estratégias discursivas até o conteúdo específico, sob a perspectiva das áreas das Ciências da Natureza, Humanas e Linguagens e Códigos.

 

FIGURA 1 – Plano de aula sobre “Luz” criado por equipe de professores, dentre os quais a pesquisadora autora deste relatório faz parte.

2 DESENVOLVIMENTO

Para o desenvolvimento da oficina, foram convidados sete professores de Ensino Médio e alunos das três séries desse segmento. Também foram selecionados três textos-base, que fundamentariam as discussões e deles partiriam os problemas e análises propostas, conforme descrito nas etapas que seguem.

2.1 Oficina com docentes (6h)

Tendo como mote a instituição de 2015 como o Ano Internacional da Luz, foi proposta aos professores das disciplinas de Língua Portuguesa, História, Biologia e Física que trabalhassem o tema de forma interdisciplinar e a partir da perspectiva de cada área do conhecimento, conforme a proposta do Plano de atividades.

Os mediadores propuseram uma leitura comentada dos textos abordados pelo plano, junto com os professores e depois solicitou que cada um deles lesse as propostas do plano.

Após essa etapa, os professores, a pedido dos mediadores, selecionaram algumas atividades, consideradas possíveis de realização no tempo de um mês, em aulas alternadas.

Combinaram que seguiriam a sequência proposta no plano de atividades. Assim iniciariam por Língua Portuguesa e que a professora dessa disciplina trabalharia o texto nas aulas que antecederiam o encontro.

A professora de Língua Portuguesa comentou também aproveitaria a proposta para fazer uma revisão sobre os seguintes conteúdos: (i) conotação e denotação, (ii) funções da linguagem e (iii) figuras de linguagem e que no dia propriamente dito da oficina, poderia fazer o jogo proposto com as duas imagens que seguem:

FIGURA 2 – Obra: Natureza morta com crânio. Autor: Pieter Claesz Ano: 1628 Tamanho: 24 × 36 cm. Onde ver: Metropolitan Museum of Art.

FIGURA 3 – Obra: A criação de Adão Autor:  Michelangelo Buonarroti Ano: 1508 – 1510 Tamanho: 38 × 57. Onde ver: Capela Sistina

Estipulou-se que para terminar a parte de Língua Portuguesa, o grupo de estudantes, conforme sugerido no plano, releria o seguinte trecho do artigo de Chris Bueno para redigir um parágrafo explicando a associação estabelecida entre trevas, conhecimento controlado, Idade Média e a expressão “natureza morta” na obra de Pieter Claesz.

A Idade Média por muito tempo foi chamada de idade das trevas. Isso porque o conhecimento da época era controlado pela Igreja Católica, que impunha a fé como o único caminho a ser seguido e impedia o desenvolvimento cultural, científico e tecnológico. O termo acabou sendo abandonado conforme pesquisas sobre o período revelaram toda a riqueza do conhecimento da Idade Média.

Na sequência, o professor de História, a partir da conotação de Luz, contextualizaria o Iluminismo na Europa, a queda do poder absoluto dos reis, o fim da “Era das Trevas” e o início de um novo “amanhecer” para a humanidade. Retomando amanhecer como um paralelo para a luz que surge após a escuridão da noite.

A partir da explanação, o professor sugeriu utilizar a proposta para que os alunos expliquem oralmente: as seguintes questões: (i) O significado da metáfora ” trazer à luz”. (ii) A que Platão relacionava a luz, já no século 400 a.C? (iii) Por que, segundo o texto de Chris Bueno, a percepção do mundo exterior teria relação com a luz?

A professora de História da Arte propôs iniciar a abordagem em sua disciplina retomando a imagem de “A criação de Adão”, de Michelangelo, para compará-la à “Natureza morta com crânio”, de Pieter Claesz. O objetivo seria incitar a turma a perceber a luminosidade presente na obra do artista renascentista.

A professora, seguindo a proposta do plano, analisaria com a turma a importância da luz para percepção das partes do corpo na obra da Capela Sistina.

FIGURA 4 – Pinturas famosas com códigos escondidos.  Fonte: Disponível em: http://revoada.net/10-pinturas-famosas-com-codigos-escondidos/.

 

Por fim perguntaria à classe sobre a duplicidade de interpretação do título “A criação de Adão” e terminaria a aula ouvindo as respostas dos alunos.

Nesta etapa, o professor de Biologia projetaria o infográfico “Reações Fotoquímicas”, de Victória Flório. Analisaria o gráfico e lançaria a seguinte questão para a turma: 1. “Qual a importância da luz para a saúde do ser humano?”

FIGURA 5 – Reações Fotoquímicas. Fonte: Disponível em: http://pre.univesp.br/reaces-fotoquimicas#.WLiT-FXyvIU>.

 

Depois de escutar as respostas, anotaria na lousa em forma de mapa conceitual as respostas mais relevantes para a abordagem do tema, dividiria a turma em pequenos grupos e solicitaria a conceituação dos seguintes termos:

         a. Melanina

         b. Vitamina D e Raquitismo

         c. Raio Ultravioleta A, B e C e envelhecimento da pele

         d. Protetor solar e Bronzeadores

         e. Raios solares e câncer de pele

A partir das definições dos estudantes, o professor elaboraria um mapa conceitual de forma a relacionar todos os conceitos com a importância do cuidado da pele e da saúde óssea.

Para terminar a atividade, o grupo de professores proporia uma produção de texto, em grupo de 4 alunos a partir da seguinte abordagem:

2.1.1 Proposta de produção de texto

Produção de um texto dissertativo-expositivo supondo que ele fará parte de um material que poderá ser utilizado nas aulas dos alunos do Ensino Fundamental II de sua escola. O texto deverá, além de apresentar características do gênero, expor de uma maneira clara e didática o tema que será desenvolvido. Para isso, utilize os conhecimentos que adquiriu com as leituras dos textos apresentados pela revista Pré-UNIVESP e com as atividades realizadas.

2.2.1 Escolha um dos temas a seguir:

  • Iluminismo
  • Fotossíntese e sua importância para a existência de vida na Terra
  • Fenômenos ópticos: refração, reflexão e absorção
  • Dualidade da luz
  • Luz: processo evolutivo

Na semana seguinte, apresentariam os resultados no site do colégio e fariam as questões propostas no plano.

Ao término do encontro, combinou-se que cada professor se prepararia para o dia da oficina com os alunos e que, conforme determinado, trabalhariam com a turma nas semanas que antecederiam a oficina.

2.2 Oficina com alunos (4h)

No dia da oficina, os estudantes entraram na sala vendados e ficaram parte do tempo com a venda, apenas ouvindo os professores tecerem comentários sobre o tema ‘Luz”.

Depois, ainda vendados, escutaram a canção “Luz do sol”, de Caetano Veloso, como recurso de sensibilização para a abordagem do tema.

Após essa audição, os estudantes foram orientados a retirar as vendas e comentaram sobre a sensação que tiveram. A partir desse elemento disparador, os docentes iniciaram as propostas de abordagem sobre o tema, conforme o planejamento feito no encontro com docentes.

Os professores conduziram a oficina conforme planejamento, contudo o tempo não foi suficiente para a produção do texto e como não havia disponibilidade de outro dia para isso, foi solicitado aos alunos que fizessem em casa a produção e entregassem na semana posterior. Eles entregaram e os melhores foram postados no site do colégio, conforme o plano dos professores.

3 RESULTADOS

Os docentes relataram que a atividade foi muito produtiva, que perceberam o potencial do texto de divulgação científica em atualizar as unidades do conhecimento trabalhadas em sala de aula e que notaram como esse recurso desperta o interesse do estudante. Eles relataram também que esse tipo de oficina promove debates sobre temas atuais e que retira das aulas o tom didático, ainda que se valha da didática para a promoção do aprendizado.

Não foram feitas entrevistas com os alunos, mas percebeu-se pela participação nas atividades que estavam motivados e interessados nas atividades propostas.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Percebeu-se que:

1.  o índice de consumo de informação científica é fator relevante para o engajamento do professor em projetos interdisciplinares.

2. o texto de divulgação científica é um eficiente elemento disparador para abordagens mais complexas das unidades de conhecimento do programa do Ensino Médio.

3. a revista virtual tem grande potencial de atração pela sua dinamicidade, por meio dos links, e pela atratividade visual.

4. a abordagem interdisciplinar promove sinapses necessárias para pensar a aplicabilidade de conhecimento escolares no cotidiano.

5. o engajamento do estudante é proporcional à sua percepção de sentido nas atividades propostas.

6. Para a promoção desse tipo de atividade é imprescindível o investimento na formação continuada do docente.

Assessoria Pedagógica

  • Cristiane Imperador
  • Douglas Gouvêa
  • Eline Dias Moreira
  • Márcia Azevedo Coelho
  • Thaís Cesaro
  • Bruno Aranha