Nº.61 UNIVERSO Dez 2016 | Jan 2017

Por Chris Bueno
21/10/15

O que é ser um bom profissional? Em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo e exigente, essa pergunta torna-se cada vez mais difícil de ser respondida. Afinal, as empresas exigem habilidades e competências diversificadas e, além disso, o mundo globalizado e os avanços da tecnologia fazem com que as mudanças no mercado de trabalho aconteçam velozmente: velhas ocupações desaparecem e novas profissões surgem.

No entanto, a educação se mantém como um dos principais caminhos para conseguir uma boa colocação no mercado de trabalho. Muitos especialistas afirmam que ter uma boa formação contribui não apenas para a conquista de um emprego, mas também para o desenvolvimento profissional do indivíduo dentro da empresa ou da instituição que o emprega. Mesmo em um cenário de super oferta de mão de obra (a taxa de desemprego chegou a 8,3% no segundo trimestre deste ano, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE), as empresas reclamam que profissionais qualificados são difíceis de encontrar. Levantamento da Confederação Nacional de Indústria (CNI), feito em 2011, aponta que 69% dos empresários têm dificuldade para contratar funcionários para cargos técnicos e especializados.

Apenas 16% dos trabalhadores brasileiros possuem ensino superior completo, segundo dados da Pesquisa Nacional de Domicílios (Pnad) divulgados este ano. Mas a situação é ainda pior: a baixa qualidade de muitos cursos superiores é um enorme desafio a ser vencido. Assim, se faltam vagas em vários setores, outras são dificilmente preenchidas devido à falta de qualificação dos profissionais.

Educação e trabalho

Ter diploma de ensino superior aumenta as chances de conseguir um emprego novo ou melhor. Segundo o estudo “Panorama sobre a Educação 2013”, 85,6% dos brasileiros com curso universitário estavam empregados, contra 77,4% dos que tinham apenas o nível médio e 68,7% daqueles que cursaram somente o ensino fundamental. Além disso, a taxa de desemprego entre os que cursaram o ensino superior é a mais baixa: 4,7%, contra 7,6% entre os que não tinham o diploma. “A sociedade do conhecimento e da comunicação vem exigindo maiores habilidades e níveis de formação, o que se associa a maiores possibilidades de empregabilidade. Apesar desta relação não ser direta, o ensino superior favorece a empregabilidade”, aponta Edineide Jezine, professora do Departamento de Educação da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

Por outro lado, é preciso ter em mente que a educação precisa ter como meta a formação de cidadãos e não apenas de profissionais. “A educação é um processo amplo e geral, que tem como objetivo a socialização e a formação humana em todos os aspectos sejam físicos, morais, intelectuais ou estéticos e que está relacionada ao conjunto de influências do meio sócio-histórico sobre cada indivíduo”, afirmam os sociólogos Selma Venco e Evaldo Piolli, professores do Departamento de Política, Administração e Sistemas Educacionais da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas, Unicamp. De acordo com eles, a prioridade da educação deve ser a formação integral dos alunos, buscando formar cidadãos reflexivos, capazes de pensar criticamente. “A formação para o trabalho deve ficar sob a responsabilidade do empresariado, de acordo com suas necessidades. Não é função da educação pública a adoção de ideias que formatem o pensamento da população para o trabalho”, afirmam.

A educação que visa o desenvolvimento humano na sua integralidade, e não apenas sua preparação para o mercado de trabalho, é mais interessante para o próprio mercado de trabalho, que, cada vez mais, busca profissionais capazes de analisar um cenário, pensar em maneiras de transformá-lo. Capazes de inovar com criatividade.

Um novo perfil

Apesar de importante, cursar uma universidade não é suficiente para enfrentar os desafios atuais do mercado de trabalho. Isso porque é preciso desenvolver habilidades pessoais e os valores considerados necessários pelas empresas para enfrentar a complexidade do mercado atual. Se há alguns anos atrás o principal requisito para ser um bom profissional era saber realizar bem suas funções, hoje esse perfil mudou drasticamente.

Pesquisadores do “Institute for the Future”, da Universidade de Phoenix, nos Estados Unidos, elencaram 10 competências consideradas primordiais para os profissionais atualmente: capacidade de análise; sociabilidade; ser capaz de encontrar soluções para situações diversas; estar preparado para trabalhar com pessoas de culturas, idiomas e gerações diferentes; compreender grande quantidade de dados; conhecer e utilizar várias mídias; atuar em um amplo conjunto de disciplinas; criar diferentes métodos de trabalho; conseguir usar as ferramentas e filtros para selecionar informações relevantes diante de uma grande quantidade de dados; trabalhar de forma produtiva em equipes virtuais de trabalho, provendo retorno imediato e processos organizados. “No contexto da quebra de fronteiras, não basta somente saber, é preciso saber fazer, ter formação qualificada e diversificada em acordo como as necessidades do mercado”, afirma Jezine.

Desta forma, o profissional tem que participar ativamente de seu processo de formação, buscando cursos e ferramentas que o ajudem a enfrentar os novos desafios do mercado de trabalho. 

Educação à distância

Na atual – e complexa – configuração do mercado, o ensino à distância (EAD) surge como uma opção para aqueles que buscam se qualificar. A EAD já responde por 14,6% das matrículas de graduação no ensino superior do Brasil, segundo dados do Censo 2011/2012, da Associação Brasileira de Educação à Distância (Abed). Isso equivale a cerca de dois milhões e duzentos mil alunos virtuais no país.

A grande procura pela EAD é explicada pela flexibilidade que ela oferece e também pelo custo – aproximadamente 20% a 40% menos do que um curso presencial. A pesquisa da Abed também demonstrou que o perfil do aluno que estudo a distância mudou. Se antes esses cursos eram procurados por pessoas apenas em busca de algum tipo de certificado, hoje são profissionais que procuram aprimoramento e reposicionamento no mercado de trabalho.