Nº.61 UNIVERSO Dez 2016 | Jan 2017

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Por Marta Avancini
1/6/15

Criado pelo físico norte-americano Theodore Maiman em 1960, a partir de teorias desenvolvidas por Albert Einstein e Max Planck, no início do século XX, o laser é considerado uma das mais importantes tecnologias desenvolvidas pela humanidade, devido à diversidade de suas aplicações, das máquinas de leitura de códigos de barra no supermercado a bisturis usados em procedimentos médicos. “O laser tem diversas aplicações, nas mais diversas especialidades médicas, com ganhos significativos em relação aos tratamentos convencionais”, afirma a médica Maria Cristina Chavantes, presidente da Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia.

O laser, sigla em inglês para Light Amplification by Stimulated Emission of Radiation ou, em língua portuguesa, amplificação da luz por emissão estimulada de radiação, é um dispositivo que produz radiação eletromagnética perceptível a olho nu, ou seja, é uma fonte de luz. Ele difere das fontes de luz tradicionais (lâmpadas incandescentes, por exemplo), porque é monocromático e possui o que os especialistas chamam de coerência espacial e temporal.

Como funciona o laser

A luz é um fenômeno que ocorre no nível atômico, quando elétrons são excitados (ou energizados) e saltam para um nível de energia maior. Quando retornam para o nível original de excitação, esses elétrons devolvem a energia que receberam na forma de luz. No laser, em vez de retornarem, os átomos energizados ficam paralisados, até que tal estado seja desfeito – por exemplo, por uma radiação externa ou pelo movimento de um átomo próximo. Ocorre, então, a emissão de um fóton (luz) que “perturba” os átomos vizinhos, criando um “irmão gêmeo”, que segue perturbando outros átomos, gerando novos fótons gêmeos, desencadeando, assim, uma reação em cadeia, cujo resultado é a emissão de radiação com a mesma frequência e regularidade, chamadas de “ondas coerentes”. Elas se expressam em um feixe estreito e concentrado numa área pequena e bem definida, o “feixe de lápis”. Por essas características o laser possui uma série de aplicações, em várias áreas, entre elas a medicina.

Uso médico

Segundo Chavantes, as primeiras experiências de uso do laser na medicina aconteceram nos anos 1960, na dermatologia e oftalmologia. Desde então, ele foi incorporado a diversas especialidades, como: ginecologia, oncologia, cardiologia e urologia. “Os lasers mais antigos têm potência alta e são usados para queimar (cauterizar) ou fazer vaporização, entre outros procedimentos. Mas existem também os lasers de baixa potência, utilizados, por exemplo, para auxiliar em processo de cicatrização”, explica a médica.

A aplicação do laser, em geral, é feita com o uso de um bisturi-laser que dirige o feixe de luz para a região desejada, onde a radiação interage com o tecido biológico. Sua principal vantagem sobre bisturis convencionais é que ele irradia calor, cauterizando o corte e evitando hemorragias e infecções. Isso se deve à precisão da luz emitida pelo laser, que possibilita focar uma área específica sem afetar seu entorno.

Os tratamentos de retina – membrana que cobre a face interna do olho e capta sinais luminosos, formando imagens – são um dos campos em que o uso do laser é amplamente difundido. Em decorrência de um trauma, por exemplo, a retina pode sofrer descolamento. Nesse caso, o laser é aplicado para fazer a fotocoagulação dos vasos, evitando que a membrana se desprenda do bulbo ocular.

O laser também é usado em alguns tipos de angioplastia, cirurgia realizada para desobstruir artérias do coração bloqueadas por placas de gordura. Ele é aplicado por meio de um cateter construído com fibras óticas conectado com uma fonte de laser. O mecanismo de ação é a vaporização, que induz a intenso aquecimento local, que resulta no desbloqueio da artéria.

Outras áreas da medicina que adotam o laser são a urologia (para quebrar pedras nos rins, por exemplo), ginecologia (para tratamento de condilomas), na oncologia (destruição de tumores cancerígenos). “O laser pode ser usado para ajudar na cicatrização de feridas de difícil cicatrização”, explica a Chavantes. Um exemplo são as feridas nos pés de pacientes diabéticos, conhecidas como “pé diabético”. De acordo com a médica, o tratamento com laser pode evitar complicações sérias como as amputações.

Uma das áreas médicas em que o laser está mais amplamente difundido é a dermatologia. Ele pode ser usado para redução de manchas e cicatrizes, remoção de pelos, tratamento de flacidez e celulite, entre outros procedimentos. A teoria da fototermólise seletiva levou ao desenvolvimento de lasers de alta energia, tecnologia que tornou possível o desenvolvimento de tratamentos capazes de alcançar seletivamente diferentes estruturas à pele.

Capacitação

Embora sejam muitos os benefícios do laser à medicina, o sucesso dos tratamentos depende da habilidade do profissional que está utilizando a tecnologia. “Se a pessoa não estiver devidamente preparada para utilizar o equipamento pode causar muitos danos”, alerta a Chavantes. Por isso, existem regras definidas com objetivo de garantir segurança nos tratamentos. “Somente médicos, veterinários e dentistas podem usar bisturi-laser”, afirma a médica. Além disso, devido à complexidade e aos riscos inerentes ao uso do laser, é preciso uma formação específica, além daquela obtida na graduação em medicina e odontologia.

Fontes:

Laser na medicina

Laser e IPL na medicina

Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica – Cirurgia a Laser