Nº.61 UNIVERSO Dez 2016 | Jan 2017

Matheus Vigliar
Fabiana do S. da Silva Dias de Andrade
2/7/15

A rotina de atividades físicas para a terceira idade há muito deixou de ser opcional. Para muitos especialistas, a complementação de exercícios físicos ao dia-a-dia dos idosos é considerada parte fundamental para evitar acidentes domésticos, melhorar a postura, condicionar a função cardíaca e muscular, controlar o surgimento de comorbidades (diabetes e hipertensão, por exemplo) e promover maior qualidade de vida. Neste contexto, os formatos tradicionais de intervenção podem ser combinados a formas mais modernas de atividade física, tal como o método Pilates. Em um estudo recente, Laiana Mesquita, da Universidade Camilo Castelo Branco (Unicastelo), juntamente com um grupo de pesquisadores, comprovou que um programa de facilitação neuromuscular proprioceptiva (PNF) e outro de Pilates são capazes de promover melhora significativa nos equilíbrios estático e dinâmico e assim evitar a ocorrência de quedas. Propriocepção ou cinestesia refere-se à capacidade de uma pessoa de reconhecer a localização espacial do corpo, sua posição e orientação, a força exercida pelos músculos e a posição de cada parte do corpo em relação às demais, sem utilizar a visão. Este tipo específico de percepção permite a manutenção do equilíbrio postural e a realização de diversas atividades práticas.

Mais exercícios, mais força

Em outra pesquisa 32 idosas foram submetidas a um treino de força muscular com carga para extensores de joelhos. Segundo Lygia Lustosa, do Centro Universitário de Belo Horizonte (Uni-BH), que coordenou o estudo, houve melhora significativa tanto na potência muscular quanto na capacidade funcional.

No caso de idosos portadores de diabetes, um programa de atividade aeróbica de 50 minutos, de intensidade moderada a alta, aplicado três vezes por semana, durante oito semanas revelou drástica redução da resistência à insulina, quando comparado ao grupo inativo. A conclusão é resultado de um estudo de 2014 coordenado por Narges Motahari-Tabari, da Escola de Enfermagem e Obstetrícia, da Universidade de Ciências Médicas, no Irã.

Doenças cardiovasculares, por sua vez, são as responsáveis pelos maiores índices de mortalidade no mundo. Pesquisas têm revelado que o aumento da capacidade para realizar exercícios eleva a oferta de oxigênio máximo no organismo, reduzindo em 6% a ocorrência de doença coronariana, especialmente entre aqueles acima de 60 anos, de acordo com Hassan Okati, da Universidade Yazd, também no Irã (2014).

Regularidade

Uma rotina regular de exercícios pode ainda melhorar a qualidade do sono e capacidade cognitiva entre os idosos, tal como demonstraram Judy Pa, do Departamento de Neurologia, da Universidade da Califórnia, Estados Unidos, juntamente com um grupo de pesquisadores. Eles instituíram atividades de alongamento, aeróbicas, cognitivas e educacionais entre 72 idosos sedentários. Os resultados demonstraram melhora significativa da qualidade do sono e redução na necessidade de medicação para dormir.

De todo o exposto, deve-se ressaltar a existência de programas de atividades físicas voltados para a população acima de 60 anos, a fim de que níveis de saúde mais elevados e menores custos com internações e medicações sejam enfim alcançados.

REFERÊNCIAS

Mesquita LS, de Carvalho FT, Freire LS, Neto OP, Zângaro RA. Effects of two exercise protocols on postural balance of elderly women: a randomized controlled trial. BMC Geriatr. 2015; 2;15:61.

Lustosa LP, Silva JP, Coelho FM, Pereira DS, Parentoni AN, Pereira LS. Impact of resistance exercise program on functional capacity and muscular strength of knee extensor in pre-frail community-dwelling older women: a randomized crossover trial. Rev Bras Fisioter. 2011; 15(4): 318-24.

Motahari-Tabari N, Ahmad Shirvani M1, Shirzad-E-Ahoodashty M, Yousefi-Abdolmaleki E, Teimourzadeh M. The effect of 8 weeks aerobic exercise on insulin resistance in type 2 diabetes: a randomized clinical trial. Glob J Health Sci. 2014; 7(1):115-21.

Aliabad HO, Vafaeinasab M1, Morowatisharifabad MA, Afshani SA, Firoozabadi MG, Forouzannia SK. Maintenance of physical activity and exercise capacity after rehabilitation in coronary heart disease: a randomized controlled trial. Glob J Health Sci. 2014; 6(6): 198-208.

Pa J, Goodson W, Bloch A, King AC, Yaffe K, Barnes DE. Effect of exercise and cognitive activity on self-reported sleep quality in community-dwelling older adults with cognitive complaints: a randomized controlled trial. J Am Geriatr Soc. 2014; 62(12): 2319-26.