Nº.61 UNIVERSO Dez 2016 | Jan 2017

Matheus Vigliar

Café como fator de desenvolvimento da economia brasileira

14/4/14

 Legenda: Avenida Paulista (1905), em São Paulo. Fonte: Prefeitura de São Paulo

Comemora-se hoje, 14 de abril, o dia mundial do café. E não é para menos que a bebida tenha um dia especial para ela: em todo o mundo, são consumidas cerca de 142 mil sacas de café por ano. Só no Brasil, 80% da população consome diariamente a bebida, segundo pesquisa realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A queridinha dos brasileiros também é capital para a economia do país.

Ainda no século XVIII, o café já se mostrava timidamente presente nos lares brasileiros, quando se difundiu pelo sudeste e sul do país. Em São Paulo, foi no século XIX que a bebida começou a se tornar um fator importante para o desenvolvimento da economia paulistana, quando houve grande queda nas exportações de cacau e algodão. O café se tornava então, o “ouro negro” para os fazendeiros. O cultivo do grão começou em Belém, passou pelo Rio de Janeiro, até se ampliar para a província de São Paulo, na qual se concretizou como base da economia do Brasil já em meados de XIX e início de XX.  

Foi por meio do “ouro negro” que a ferrovia do Estado de São Paulo foi construída, com o objetivo de escoar o principal produto de exportação brasileiro na época. A bebida também foi responsável por influenciar a vinda de cerca de quatro milhões de imigrantes, principalmente da Europa, no final do século XIX e início do XX.

A essa altura, a riqueza gerada pelos cafezais acelerava o desenvolvimento do Brasil. Tamanha prosperidade era refletida nas elegantes mansões dos barões fazendeiros, especialmente de São Paulo. Grande parte delas podia ser vista na antiga Avenida Paulista. Teatros também foram construídos na capital e em novas cidades do interior. Com isso, a cultura europeia ganhava espaço no país.

Mesmo com a intensa produção e comércio do café, o Brasil passou por uma crise no ano de 1929, quando o principal comprador do grão brasileiro, os Estados Unidos, passavam pela a maior crise financeira do país.  A principal consequência para o Brasil foi a queda nos preços do produto, levando o governo a comprar e queimar toneladas de café, como estratégia para diminuir a oferta e manter o preço em alta do café brasileiro. A manobra deu certo e o país se recuperou rapidamente da crise, se consolidando até hoje como o maior produtor mundial do grão, segundo a Organização Internacional do Café. Veja o ranking mundial no link.  

Uma oportunidade de conhecer mais sobre a história do café é visitar o Museu do Café, na cidade de Santos. O museu, que fica aberto de terça a domingo, conta com exposição permanente e outras temporárias sobre a trajetória do café no Brasil. Para o dia mundial do café, estão programados eventos especiais de comemoração. Confira a programação neste link.

Neurociências no museu

Exposição na Unicamp é aberta ao público no dia 12 de abril
4/11/14

 

Acontece hoje e amanhã (11 e 12 de abril), no Museu Exploratório de Ciências da Unicamp, a exposição Neurociências no Museu. Seu objetivo émostrar uma área de pesquisa que estuda funcionamento e a estrutura do cérebro e a sua relação com o comportamento e a mente.

O dia 11 será reservado exclusivamente para alunos das escolas de Campinas e região. O dia 12, sábado, será aberto ao público em geral. Várias atividades estão sendo programadas.

A exposição é parte das atividades do I Congresso CEPID-BRAINN que acontece de hoje até o dia 16 de abril, na Unicamp, e foi organizado pelo Instituto de Pesquisa sobre Neurociências e Neurotecnologia (Brainn).

Com sede na Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp,o Brainn investiga os mecanismos básicos da epilepsia, do acidente vascular cerebral e dos danos causados por sua progressão. O principal objetivo das pesquisas do Brainn é desenvolver aplicações na prevenção, diagnóstico, tratamento e na reabilitação de pessoas com esses problemas.

 

Serviço:

Neurociências no museu

Museu Exploratório de Ciências

Universidade Estadual de Campinas

Av. Alan Turing, 1500

Barão Geraldo — Campinas — SP

Contato: telefone (19) 3521-1810 – e-mail: setoreducativo@reitoria.unicamp.br

O tempo quantizado

9/4/14

O tempo é contínuo? Todas as teorias da física que foram confirmadas por experimentos pressupõem que sim. Porém, há hipóteses, ainda não testadas, segundo as quais as coisas são bem diferentes. Essas teorias foram criadas por motivos que nada têm a ver com o tempo. São tentativas de resolver um problema fundamental na física atual: reunificar a física teórica. Hoje ela está dividida em dois grandes campos: de um lado, a teoria da relatividade geral e, de outro, a mecânica quântica mais a relatividade especial (que foram fundidas na “Teoria Quântica do Campo”). As duas formulações são incompatíveis, daí a necessidade de encontrar uma terceira teoria única que seja capaz de reproduzir as previsões de ambas.

Não é uma tarefa fácil. Há algumas teorias-tentativas, mas ainda não foi possível verificar, com experimentos em aceleradores de partículas, se alguma delas representa bem a realidade física. A tentativa mais popular é a Teoria das Cordas ou das Supercordas. Outra é a Gravitação Quântica de Laços (QLG, do inglês “Quantum Loop Gravity”). Nesta última, ao contrário do que defende a Teoria das Cordas, o espaço-tempo não é contínuo, mas uma espécie de rede. Apenas os cruzamentos dos fios dessa rede são posições e instantes do tempo possíveis: espaço e tempo são quantizados, granulados. Assim também acontece com outra teoria hipotética, a Triangulação Dinâmica Causal. 

Uma Breve História do Tempo, de Stephen Hawking

Como o "retrato" do mundo evoluiu até aos nossos dias
7/4/14

De onde surgiu o universo? Houve realmente um princípio do tempo? Haverá um fim? Qual a natureza do tempo? Ele tem limites? Estas são algumas questões que o físico inglês Stephen Hawking tentou responder no livro Uma Breve História do Tempo, publicado em 1988. Foi a primeira obra de divulgação científica de Hawking, físico teórico da Universidade de Cambridge (Inglaterra). Escrito em linguagem simples para um público amplo, o livro apresentou as grandes teorias do cosmos como o Big Bang e os buracos negros, que não são tão negros assim.

No livro, Hawking explora a ideia de uma combinação da teoria da relatividade geral, de Albert Einstein, com a mecânica quântica (ramo da física que lida com fenômenos em escalas nanoscópicas) numa teoria unificada que resolveria todos os mistérios do universo. O grande mérito foi explicar isso sem usar fórmulas matemáticas. “Alguém me disse que cada equação que eu incluísse no livro diminuiria sua venda; resolvi, portanto, não apresentar nenhuma”, escreveu Hawking, nos agradecimentos do livro.

A obra foi um grande sucesso editorial, com mais de 40 edições publicadas nos Estados Unidos. O livro está disponível na internet (clique aqui).

Em 2005, Hawking publicou Uma Nova História do Tempo, onde atualizou algumas questões tratadas no primeiro livro e afirmou que entender as origens e os destinos do universo são questões que “Só o tempo, seja lá o que for, poderá responder”.

Buracos negros existem mesmo?

Eles são frequentes nas ficções científicas sugando tudo ao seu redor. Isso acontece, segundo a teoria clássica da física, porque a gravidade na região próxima ao buraco negro é tão forte, que nada pode resistir a ela, nem mesmo a luz. Mas será que esse fenômeno é mesmo real? Para Stephen Hawking, ele mesmo um dos criadores da teoria moderna sobre os buracos negros, o fenômeno pode não existir. Em artigo publicado em janeiro deste ano na plataforma ArXiv.org, mantida pela Universidade de Cornell (EUA), ele propõe que os buracos negros seriam capazes de reter e manter a matéria, na verdade, apenas de forma temporária. Para o físico, existe a possibilidade de que eles liberem a matéria em algum momento posterior, em um formato diferente e distorcido. No artigo, ele compara essa imprecisão dos fenômenos que acontecem em um buraco negro com a dificuldade de se prever o clima.

Na página de Stephen Hawking você encontra informações (em inglês) sobre seus livros, publicações e pesquisas.

 

Poema: A medida do tempo

4/4/14

A medida do tempo

Carlos Vogt

Em Salamanca do rio
Tormes
donde Lazarillo anônimo
Unamuno na universalidade do mundo
da universidade na Calle de la Compañia
de Fray Luiz de Léon
uma exposição ininterrupta desde 2002
anuncia
A Medida do Tempo

Relógios de épocas diversas para as diversas
épocas que tiveram relógios
um holandês do século XIX
quadro-retrato de casal flamengo
olhos mecânicos
pupilas negras mexem no compasso do pêndulo
batida-ritmo
pra lá pra cá pra cá pra lá
pra cá pra lá pra cá pra lá
pra cá

Narram
interminável
com desconfiança o movimento
inerte da sala suspensa
no tempo
que avança, repete, remói
a indiferença contínua das máquinas
à curiosidade dos que passam para vê-lo passar
e por aí passam
na monotonia da mudança e da permanência.