Nº.61 UNIVERSO Dez 2016 | Jan 2017

Matheus Vigliar

O POVO BRASILEIRO NO CINEMA

MASP organiza sessões de filmes gratuitas aos sábados e domingos
7/12/16

Geraldo Sarno, Vitalino/Lampião, 1969, filme 16mm, 9min

Em parceria com a Cinemateca Brasileira e como parte da programação da exposição A mão do povo brasileiro 1969/2016, o MASP organiza sessões de filmes gratuitas aos sábados e domingos.

O conjunto de 78 títulos, distribuídos em 23 sessões, procura contextualizar o cenário sociocultural do país à época da exposição inaugurada em 1969. Espera-se também evidenciar o discurso crítico que se constituiu, sobretudo a partir dos anos 1950, acerca do projeto de construção de uma identidade nacional. No recorte cinematográfico, o tom celebrador dá lugar progressivamente à denúncia social e à análise da condição brasileira e suas desigualdades. O homem simples, trabalhador e marginal torna-se, então, o principal protagonista dos filmes, que adotam igualmente o estilo do cinema direto – visando uma abordagem objetiva e imparcial, ainda que, por vezes, note-se certa intenção sociológica nos temas abordados.

Entre os títulos que serão exibidos no MASP, há importantes contribuições do Cinema Novo, movimento brasileiro marcado pela liberdade criativa, pelo tom político e por suas produções independentes. Muitos dos diretores da programação estiveram ligados a Thomaz Farkas, conhecido por convidar em diferentes momentos grupos de cineastas a percorrer o país, captando e coletando imagens das mais diversas manifestações populares, e a se revezar nas diferentes funções da produção cinematográfica. O esquema coletivo e metódico de realização mais tarde veio a ser intitulado Caravana Farkas. Entre 1969 e 1971, a Caravana produziu 19 curtas-metragens, que constituem a série denominada A condição brasileira. Grande parte deste projeto será exibida na programação, assim como outros títulos posteriores financiados e produzidos por Farkas.

O enfoque do conjunto de filmes é o ambiente provinciano e o fazer manual em oposição à produção industrial e à vida urbana. Dessa forma, a programação pode também ser entendida como ferramenta para uma leitura crítica da presença da cultura popular no museu de arte, tanto à luz do projeto de constituição de uma nação moderna quanto do atual contexto social e político.

SERVIÇO 

Filmes: A mão do povo brasileiro
1.10 -18.12.2016
Sábados e domingos, às 16h
Pequeno auditório do MASP (capacidade para 80 lugares)
Retirada de ingressos a partir das 14h, diretamente na bilheteria.
Sessões gratuitas
Todos os filmes serão exibidos e projeção digital
Organização: Luiza Proença e Pedro Andrada, Mediação e Programas Públicos, MASP

 

10 de dezembro, sábado

Linduarte Noronha, Aruanda, 1960, 21min, p&b, 35mm, documentário

Manfredo Caldas, Negros de Cedro, 1998, 15min, cor, 35mm, documentário

Fernando Belens, Anil, 1990, 8min, cor, 16mm, ficção

Francisco César Filho, Hip Hop SP, 1990, 11min, cor, 35mm, documentário

Rodrigo Savastano, Mestre Humberto, 2005, 20min, cor, 35mm, documentário

11 de dezembro, domingo

Vladimir carvalho, Quilombo, 1977, 25min, cor, 16mm, documentário

Vladimir Carvalho, Pankararu de Brejo dos Padres, 1977, 35min, cor, 16mm, documentário

Cristina Maure e Joana Oliveira, Rio de mulheres, 2009, 21min, cor, 35mm, documentário

17 de dezembro, sábado

Humberto Mauro, São João Del Rei, 1958, 10min, p&b, 35mm, documentário

Vladimir Carvalho, Vila Boa de Goyaz, 1973, 19min, cor, 35mm, documentário

Joaquim Pedro de Andrade, O Aleijadinho, 1978, 22min, cor, 16mm, documentário

Joaquim Pedro de Andrade, Brasília, contradições de uma cidade nova, 1967, 22min, cor, 16mm, documentário

18 de dezembro, domingo

Heinz Forthmann, Jornada Kamayurá, 1966, 11 min, cor, 35mm, documentário

Mari Corrêa e Vincent Carelli (Vídeo nas aldeias), De volta à terra boa, 2008, 21min, cor, mini-DV, documentário

Maricá Kuikuro e Takumã Kuikuro, O dia em que a lua menstruou, 2004, 27min, cor, vídeo, documentário

Glauber Rocha, Amazonas, Amazonas, 1966, 15min, cor, 35mm, documentário

Com informações do MASP

Ferreira Gullar na UnivespTV

5/12/16

 

            Ilustração de Matheus Vigliar

 

Ontem, 04/12, morreu Ferreira Gullar, considerado um dos maiores poetas brasileiros. Em 2012, por ocasião do lançamento da sua obra completa em poesia, pela editora José Olympio, o  jornalista Rodrigo Simon entrevistou Gullar no programa Livros, da UNIVESP TV. Na entrevista, Gullar conta sobre a criação desta nova obra, além das originais que escreveu ao longo da sua carreira.

Ferreira Gullar, cujo nome verdadeiro é José de Ribamar Ferreira, nasceu em São Luís do Maranhão, em 10 de setembro de 1930, numa família de classe média pobre. Dividiu os anos da infância entre a escola e a vida de rua, jogando bola e pescando no Rio Bacanga. Considera que viveu numa espécie de paraíso tropical e, quando chegou à adolescência, ficou chocado em ter que tornar-se adulto, e tornou-se poeta.

Descobriu a poesia moderna apenas aos dezenove anos, ao ler os poemas de Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira. Ficou escandalizado com esse tipo de poesia e tratou de informar-se, lendo ensaios sobre a nova poesia. Pouco depois, aderiu a ela e adotou uma atitude totalmente oposta à que tinha anteriormente, tornando-se um poeta experimental radical, que tinha como lema uma frase de Gauguin: “Quando eu aprender a pintar com a mão direita, passarei a pintar com a esquerda, e quando aprender a pintar com a esquerda, passarei a pintar com os pés”.

Ou seja, nada de fórmulas: o poema teria que ser inventado a cada momento. “Eu queria que a própria linguagem fosse inventada a cada poema”, diria ele mais tarde. E assim nasceu o livro que o lançaria no cenário literário do país em 1954: A luta corporal. Os últimos poemas deste livro resultam de uma implosão da linguagem poética, e provocariam o surgimento na literatura brasileira da “poesia concreta”, de que Gullar foi um dos participantes e, em seguida dissidente, passando a integrar um grupo de artistas plásticos e poetas do Rio de Janeiro: o grupo neoconcreto.

O movimento neoconcreto surgiu em 1959, com um manifesto escrito por Gullar, seguido da Teoria do não-objeto, estes dois textos fazem hoje parte da história da arte brasileira, pelo que trouxeram de original e revolucionário. São expressões da arte neoconcreta as obras de Lygia Clark e Hélio Oiticica, hoje nomes mundialmente conhecidos.

Gullar, por sua vez, levou suas experiências poéticas ao limite da expressão, criando o livro-poema e, depois, o poema espacial, e, finalmente, o poema enterrado. Este consiste em uma sala no subsolo a que se tem acesso por uma escada; após penetrar no poema, deparamo-nos com um cubo vermelho; ao levantarmos este cubo, encontramos outro, verde, e sob este ainda outro, branco, que tem escrito numa das faces a palavra “rejuvenesça”.

O poema enterrado foi a última obra neoconcreta de Gullar, que afastou-se então do grupo e integrou-se na luta política revolucionária. Entrou para o partido comunista e passou a escrever poemas sobre política e participar da luta contra a ditadura militar que havia se implantado no país, em 1964. Foi processado e preso na Vila Militar. Mais tarde, teve que abandonar a vida legal, passar à clandestinidade e, depois, ao exílio. Deixou clandestinamente o país e foi para Moscou, depois para Santiago do Chile, Lima e Buenos Aires.

Voltou para o Brasil em 1977, quando foi preso e torturado. Libertado por pressão internacional, voltou a trabalhar na imprensa do Rio de Janeiro e, depois, como roteirista de televisão.

Durante o exílio em Buenos Aires, Gullar escreveu Poema Sujo – um longo poema de quase cem páginas – que é considerado a sua obra-prima. Este poema causou enorme impacto ao ser editado no Brasil e foi um dos fatores que determinaram a volta do poeta a seu país. Poema Sujo foi traduzido e publicado em várias línguas e países.

De volta ao Brasil, Gullar publicou, em 1980, Na vertigem do dia e Toda Poesia, livro que reuniu toda sua produção poética até então. Voltou a escrever sobre arte na imprensa do Rio e São Paulo, publicando, nesse campo, dois livros Etapas da arte contemporânea (1985) e Argumentação contra a morte da arte (1993), onde discute a crise da arte contemporânea.

Outro campo de atuação de Ferreira Gullar é o teatro. Após o golpe militar, ele e um grupo de jovens dramaturgos e atores fundou o Teatro Opinião, que teve importante papel na resistência democrática ao regime autoritário. Nesse período, escreveu, com Oduvaldo Vianna Filho, as peças Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come e A saída? Onde fica a saída? De volta do exílio, escreveu a peça Um rubi no umbigo, montada pelo Teatro Casa Grande em 1978.

Mas Gullar afirma que a poesia é sua atividade fundamental. Em 1987, publicou Barulhos e, em 1999, Muitas Vozes, que recebeu os principais prêmios de literatura daquele ano. Em 2002, foi indicado para o Prêmio Nobel de Literatura.

Veja a entrevista com o poeta Ferreira Gullar:

Formação de professores - “Imagens em sala de aula”

25/11/16

Estão abertas as inscrições para o 4º curso de formação continuada, realizado pelo Departamento de História da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e que faz parte do cronograma da 8ª Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB).

Voltado para professores e graduandos de todas as áreas, o curso ocorrerá de 1º de março a 10 de maio de 2017 e tem como tema “Imagens em sala de aula”. As inscrições podem ser feitas até 15 de fevereiro pelo site da ONHB.

No formato online, o curso inclui materiais inéditos, textos e vídeos produzidos para enriquecer a discussão e o trabalho dos professores em sala de aula, nos ensinos fundamental e médio. Tem apoio e participação de historiadores de renome e pesquisadores da Unicamp.

A coordenadora da ONHB, Cristina Meneguello, explica que a proposta do programa é ampliar a capacidade do ensino e aprendizado de História. “Dessa vez, o Curso tem perfil metodológico convidando os participantes a refletirem sobre as imagens e as diferentes formas pelas quais elas podem ser utilizadas em sala de aula”, afirmou.

O curso está dividido em três módulos com duração de dez semanas. Além das aulas, prevê entrega de tarefas em cada fase e participação em fóruns abertos e debates. O programa inclui a entrega de um plano de aula, que é comentado e analisado pelos tutores e devolvido com sugestões para alterações e acréscimos, que embasarão a realização e entrega da atividade final.

Quem pode participar

É permitida a participação de professores e outros profissionais que não sejam orientadores de equipes inscritas na 8ª ONHB. Podem se inscrever: professores que estejam exercendo a função de professor de História no momento da inscrição, mesmo que sua área original de formação não seja História; professores cuja área original de formação é História, mesmo que não estejam exercendo a função de professores de História no momento da inscrição; estudantes de graduação, independente de seu curso; assim como graduados ou que interromperam seus cursos de graduação em algum momento de sua formação.

Serviço:

4º Curso de Formação Continuada: de 1º de março a 1º de maio/2017

Inscrições feitas até 29/12, valor com desconto (R$ 150,00)

Inscrições feitas de 30/12/16 a 15/02/17, valor integral (R$ 190,00)

Inscrições devem ser feitas pelo site: www.olimpiadadehistoria.com.br 

Nova corrida pela água

22/11/16

A fundação Race for Water (corrida pela água, em tradução livre) é uma instituição suíça sem fins lucrativos dedicada à preservação da água. Sua criação foi motivada pela ameaça que a poluição, especialmente, o plástico, representa para os recursos hídricos de todo o planeta. Assim, a Race for Water busca identificar, promover e ajudar a implementar soluções para reciclagem e a correta destinação dos plásticos após seu uso, evitando assim a poluição dos rios e mares. Um dos projetos da Fundação é o “Race for Water Odissey” (R4WO), expedição que, em 2015, percorreu as cinco regiões do mundo que mais acumulam lixo.

Esse ano a Fundação está lançando sua segunda Odisséia 2017-2021. A viagem está programada para começar em abril de 2017, com a primeira escala nas Ilhas Bermudas (território ultramarino britânico no Oceano Atlântico).

A nova missão possui três objetivos: um ambiental, que visa reduzir a quantidade de refugo de plástico que chega às vias navegáveis em todo o mundo, protegendo assim a vida de numerosas espécies. O segundo é econômico e procura promover e implementar soluções que criem uma segunda vida para os resíduos plásticos, e um objetivo social, no sentido de criar empregos e envolver as populações locais, oferecendo novas fontes de receita baseadas na reciclagem.

O papel da Race for Water é ajudar a financiar, mas também a implementar, com o apoio das autoridades locais e comunidades, estes projetos de “resíduos plásticos para a energia”, unindo as diferentes partes interessadas em torno do objectivo singularmente importante de combater a poluição dos nossos oceanos pelos plásticos .

Saiba mais no vídeo abaixo:

Em nossa edição sobre lixo e resíduos entrevistamos Elsa Mabillard, relações públicas da Fundação Race for Water. 

Economia criativa

17/11/16

De acordo com o Sebrae/SP, economia criativa é um termo criado para nomear modelos de negócio ou gestão que se originam em atividades, produtos ou serviços desenvolvidos a partir do conhecimento, criatividade ou capital intelectual de indivíduos com vistas à geração de trabalho e renda. Ela se diferencia da economia tradicional, de manufatura, agricultura e comércio porque o foco não é a produção em larga escala, mas o desenvolvimento do potencial individual ou coletivo para produzir bens e serviços criativos. Segundo as Nações Unidas, as atividades do setor estão baseadas no conhecimento e produzem bens tangíveis e intangíveis, intelectuais e artísticos, com conteúdo criativo e valor econômico.

Grande parte dessas atividades vem do setor de cultura, moda, design, música e artesanato. Outra parte é oriunda do setor de tecnologia e inovação, como o desenvolvimento de softwares, jogos eletrônicos e aparelhos de celular. Também estão incluídas as atividades de televisão, rádio, cinema e fotografia, além da expansão dos diferentes usos da internet (desde as novas formas de comunicação até seu uso mercadológico), por exemplo.

Entre 2004 e 2013, o ramo apresentou crescimento sucessivo, ano após ano, atingindo a marca de 2,6% de participação no Produto Interno Bruto (PIB) em 2013. No mesmo período, houve um aumento de 90% no número de trabalhadores da área.

São Paulo é protagonista desse processo, sendo o estado que mais emprega profissionais criativos: são 349 mil trabalhadores, o triplo do segundo colocado, Rio de Janeiro, com 107 mil. Os dados fazem parte do documento “Economia criativa no Estado de São Paulo”, que compila informações do “Mapeamento da Indústria Criativa no Brasil” (FIRJAN) e PNAD 2013 para chegar aos dados específicos do setor no território paulista. As informações, relevantes para o setor, podem ser usadas por todos aqueles que pretendem argumentar sobre a importância do investimento em cultura.

O documento pode ser baixado no site da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo.