Nº.61 UNIVERSO Dez 2016 | Jan 2017

Matheus Vigliar

Histórias do pau-brasil

24/1/17

 

Você sabia que os arcos que produzem o som dos instrumentos de corda, no mundo inteiro, são na sua grande maioria feitos de pau-brasil? Ou que essa nossa madeira, durante 350 anos, serviu para enfeitar de vermelho as roupas dos poderosos da Europa, e por isso mesmo foi uma das nossas riquezas de exportação, chegando a gerar recursos para pagar a nossa dívida externa? Pois essa utilidade levou a que ela fosse extraída em larga escala, quase levando suas árvores à extinção.

Publicado pela editora Terceiro Nome, em português e inglês, chega às livrarias “Pau-brasil: a cor e o som”, do historiador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Ricardo Maranhão e de Norberto Baracuhy, produtor de mudas de pau-brasil. A obra descreve os séculos de história e da atualidade dessa madeira vermelha, que hoje precisa continuar a ser cultivada tanto por seu valor simbólico nacional como por sua dureza, peso e flexibilidade, que a fazem ser considerada a melhor madeira do mundo para arcos de violinos, violas, violoncelos e contrabaixos.

Ao longo da pesquisa para o livro, além do trabalho historiográfico, os autores percorreram diversos estados brasileiros onde encontraram e ouviram cidadãos patrióticos que trabalham a favor do pau-brasil e de sua preservação. Também ouviram as histórias de pessoas que se dedicam a produzir os belos arcos de violino e a preparar a madeira para exportação aos centros internacionais onde os arcos também são produzidos. Daí o título: história,cor e som.

Com informações da editora Terceiro Nome

Maria Alice Carraturi Pereira é designada presidente da UNIVESP

17/1/17

O governador Geraldo Alckmin designou Maria Alice Carraturi Pereira presidente da UNIVESP. O decreto de designação foi publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo no dia 6 de janeiro de 2017.

Doutora em Educação pela Universidade de São Paulo (USP), Maria Alice foi assessora de Tecnologias na Educação e Educação a Distância para Formação de Professores da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo e coordenadora pedagógica da Escola de Formação de Professores do Estado de São Paulo. Assessorou a implantação do curso de graduação de Licenciatura em Ciências a distância da USP em parceria com a UNIVESP. Foi vice-diretora geral da Faculdade Damásio e diretora nacional de EaD do grupo DeVry Brasil, diretora de EaD da Universidade de Santo Amaro (Unisa) e diretora de Educação para a América Latina na Rosetta Stone. Mais recentemente, foi assessora de Educação a Distância no Centro Paula Souza.

Maria Alice substitui Carlos Vogt, que implantou e presidiu a UNIVESP por quatro anos, e cujo mandato encerrou no dia 29 de outubro de 2016. Professor emérito da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenador do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) da Unicamp, Vogt foi reitor da Unicamp e presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Com informações da Assessoria de Comunicação da Univesp

 

MASP ABRE TODAS AS SEGUNDAS FEIRAS DE JANEIRO

2/1/17

Como parte de sua programação de férias, o Museu de Arte de São Paulo (Masp) abre suas portas durante todas as segundas-feiras de janeiro de 2017. Serão cinco dias a mais no mês para visitar as exposições e participar das atividades do Museu: 2, 9, 16, 23 e 30 de janeiro. Nesse período, o público poderá conferir o acervo permanente do Masp nos cavaletes de cristal de Lina Bo Bardi e as exposições Agostinho Batista de Freitas, São Paulo e A mão do povo brasileiro 1969/2016, que encerra no dia 22 de janeiro.

O horário permanece o mesmo dos outros dias, das 10h às 18h, com bilheteria aberta até as 17h30. É possível comprar ingressos antecipados pelo site ingressorapido.com.br ou na bilheteria do museu. 

Com informações do Masp

Ideias para um mundo melhor

Abertas inscrições para Solve, desafio da ONU com Instituto de Tecnologia de Massachusetts
26/12/16

Impacto Acadêmico das Nações Unidas, em parceria com o Instituto de Tecnologia de Massachusetts, lançou o desafio Solve, na busca de soluções para educação de refugiados, emissão de carbono e doenças crômicas. É uma iniciativa que tem por objetivo reunir pessoas de diferentes áreas para a criação de soluções e projetos que respondam aos problemas mais difíceis do mundo. Solve ajudará a transformar inspiração e experimentação em ação, com implementação em escala, orientação e retorno.

Os desafios são:
Educação para Refugiados (Objetivo de Desenvolvimento Sustentável/ODS 4): Como podemos melhorar o aprendizado de refugiados e deslocados com menos de 24 anos?

Contribuições de Carbono (ODSs 9, 12, 13, 15): Como indivíduos e empresas podem diminuir as contribuições de carbono?

Doenças crônicas (ODS 3): Como podemos ajudar as pessoas a prevenir, detectar e tratar doenças crônicas, especialmente em lugares com recursos limitados.

Os desafios Solve estão abertos a qualquer pessoa que tenha uma grande ideia para resolver estes problemas, incluindo estudantes, pesquisadores, programadores e desenvolvedores, pessoas trabalhando com startups de tecnologia, empreendedores sociais, ativistas e inovadores e quem mais queira contribuir com uma solução.

As inscrições estão abertas até o dia 20 de janeiro de 2017. Os selecionados para a final serão convidados para defender suas ideias na sede das Nações Unidas em março de 2017 para um júri formado por representantes do MIT, empresas de tecnologia e organizações de bens sociais. O resultado deve ser anunciado em maio.

Para participar, clique aqui.

Projeto – Solve está centrado em quatro pilares:
Aprendizado – prover acesso de qualidade a todos até 2050, em todos os lugares onde alguém queira aprender;
Cura – impulsionar inovação de cuidado em saúde e pesquisa médica para fazer com que o cuidado médico seja disponível de forma universal e acessível;
Combustível – dobrar a produção de energia e alimentos e reduzir à metade as emissões de carbono até 2050, construindo um caminho para zero emissão de carbono até o fim do século;
Ação – proporcionar infraestrutura e oportunidade econômica para manter uma população mundial de cerca de 10 bilhões de pessoas em 2050.

Com informações da ONUBR

O céu como guia

Grupos indígenas utilizavam as estrelas em rituais e nas atividades do dia a dia
15/12/16

Na imagem acima vemos a Constelação de Ema, seu aparecimento no céu indica a chegada do solstício do inverno. Ela é parte da astronomia indígena que reúne o conhecimento de vários grupos indígenas brasileiros sobre o céu e o movimento dos astros. “O conhecimento indígena sobre o movimento dos astros, as fases da lua e sobre as constelações é muito semelhante à astronomia de culturas antigas, ágrafas, que faziam do céu o esteio de seu cotidiano, tais como os sumérios e os egípcios, antes de criarem seus sistemas de escrita”, conta Germano Bruno Afonso, físico e etnoastrônomo do Museu da Amazônia. No entanto, ao contrário da astronomia convencional, uma ciência exata e essencialmente teórica, a astronomia indígena utiliza métodos empíricos, relacionando o movimento do sol, da lua e das constelações com eventos meteorológicos que acontecem ao longo do ano, com períodos de chuva e estiagem, de calor ou de frio. “Com esse conhecimento, os índios constroem seus calendários, marcando a época dos trabalhos agrícolas, de floração e frutificação, da reprodução dos peixes e outros animais”, explica Afonso. O céu também guia o tempo das festas religiosas e dos procedimentos feitos pelos pajés para proteção e cura dos índios da tribo.

Provavelmente por conta desse aspecto empírico, o conhecimento dos índios sobre vários fenômenos naturais antecipou várias descobertas da astronomia convencional. Claude d’Abbeville, missionário capuchinho francês, que passou quatro meses entre os índios Tupinambás do Maranhão, relatou esse extenso conhecimento astronômico em um livro publicado em 1614, em Paris. Nessa obra ele discorre sobre o extenso conhecimento dos índios a respeito das fases da lua e sua influência nos ciclos naturais da Terra. “Os Tupi-Guarani sabem quais as espécies de peixe mais abundantes em função da época do ano e da fase da lua”, conta Germano Afonso. Somente em 1687, 73 anos após a publicação do livro de d’Ábbeville, Isaac Newton demonstrou que a causa das marés é a atração gravitacional do sol e, principalmente, da lua sobre a superfície da Terra.

O DEUS SOLAlém disso, a astronomia indígena está profundamente relacionada com a religião. No entanto, existe uma clara diferença entre seu uso cotidiano e o religioso. Assim o sol, principal regulador da vida desses povos, recebe dois nomes: Kuarahy, na linguagem do dia a dia, e Nhamandu, o nome do sol nos rituais religiosos. “Muito provavelmente, por conta desses dois tipos de significado, toda essa sabedoria foi ignorada pelos estudiosos”, acredita Afonso. Para ele ainda prevalece um desconhecimento muito grande no senso comum sobre o conhecimento dos índios sobre astronomia. Isso ocorre principalmente pela falta de pesquisas, nessa área, por astrônomos profissionais. “A maioria dos trabalhos envolvendo astronomia indígena foi publicada por pesquisadores de outras áreas, sem o conhecimento suficiente do céu. Isso levou a uma inconsistência dos resultados obtidos, que muitas vezes eram incorretos. Esse fato não ocorreu, por exemplo, em relação aos conhecimentos indígenas sobre botânica”, diz.

 

Este texto é uma adaptação de reportagem publicada originalmente na revista Ciência&Cultura, vol. 64, nº 04, São Paulo, out/dez 2012.