Nº.61 UNIVERSO Dez 2016 | Jan 2017

Por Mariana Castro Alves
22/10/14

A meteorologia é a ciência que estuda os fenômenos atmosféricos e suas leis, principalmente com a intenção de prever as variações do tempo. O termo vem do grego meteoros, que significa elevado no ar, e logos, que significa estudo. Existe uma diferença entre previsão do tempo, o estado da atmosfera em determinado instante e lugar, e previsão do clima, o “tempo médio”, ou seja, um conjunto de condições normais que dominam uma região, obtidas das médias das observações durante certo intervalo de tempo.

Se a previsão do tempo determina escolhas cotidianas e pontuais como pegar ou não um guarda-chuva antes de sair de casa, a previsão do clima determina se uma região é ou não habitável, a segurança dos meios de transporte, a dispersão de poluentes e as atividades da agricultura, até a escolha da hidroeletricidade como matriz energética de um país. “A meteorologia tem impacto direto na vida cotidiana de cada um de nós, desde pequenas decisões até as mais complexas, no sentido de saber se haverá agua suficiente nos reservatórios das represas das usinas hidroelétricas para a produção de energia, ou, se devido à falta de água nesses reservatórios, será necessário ligar usinas térmicas que queimam combustíveis fósseis para a produção de energia elétrica”, ilustra o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Caio Augusto dos Santos Coelho. “As informações de tempo e clima têm grande potencial de auxiliar no processo de definição de políticas públicas para distribuição de sementes e financiamento agrícola”, afirma.

Chuvas - “Hoje é possível prever chuvas com antecedência de dez a quinze dias, com nível de acerto alto. Mas, o maior desafio da meteorologia ainda é prever a chuva com exatidão, afirma José Carlos Figueiredo, pesquisador do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet), da Universidade Estadual Paulista, (Unesp), de Bauru.

Segundo José Carlos Figueiredo, do IPMet, comparativamente, é mais difícil prever a chuvas do que temperaturas. “Se puséssemos um termômetro e um pluviômetro a cada 10 km no trajeto de Bauru até a cidade de São Paulo, os valores de temperatura não teriam três graus de variação. Entretanto, os valores para a chuva teriam uma variação enorme”, diz. “O fato é que sabemos quase nada sobre a física das nuvens. A meteorologia teve grande avanço nos últimos dez anos nas previsões com até 120 horas de antecedência. Mas dez anos é pouco tempo para a ciência. A meteorologia é parte da física aplicada e, como toda ciência moderna, depende da tecnologia e de investimentos contínuos”, afirmou.

Ele acredita que a meteorologia deveria ser mais valorizada: “Os políticos só se interessam por essa ciência quando se deparam com um evento severo, como uma tempestade, uma seca ou enchentes que destroem estradas e casas. Umidade baixa também é um problema, pois afeta a qualidade do ar, da terra e do meio ambiente”.

Tecnologia - De acordo com Caio Coelho, do INPE, os estudos vêm se desenvolvendo com a união de conhecimentos de várias áreas, sendo fundamentalmente embasados pela física, matemática e computação científica. “Experimentos de campo são realizados para a coleta de dados meteorológicos com o objetivo de compreender melhor os processos físicos da atmosfera, por exemplo, a formação de nuvens. O conhecimento adquirido é então traduzido em equações matemáticas, que representam esses processos físicos de forma simplificada. Essas equações passam a compor modelos numéricos de previsão de tempo e clima”, explica Caio Coelho.

Segundo o pesquisador, esses modelos são executados em computadores de alto desempenho, capazes de executar milhares de operações por segundo. “Hoje, além das condições de temperatura e chuva, é possível fazer previsões de trajetórias de ciclones (centros de baixa pressão atmosférica), furacões e tempestades”, destaca.

Perspectivas – Os avanços dessa ciência foram debatidos na Conferência Mundial do Clima de 2014, que aconteceu no mês de agosto, no Canadá. Organizada pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), a conferência teve como tema “O tempo: quais são as perspectivas?”. O pesquisador do Inpe, Caio Coelho, apresentou uma pesquisa sobre monitoramento do clima para prever o começo das estações chuvosas. “Embora não seja possível precisar exatamente a data de início da estação chuvosa, estamos desenvolvendo pesquisas visando produzir previsões probabilísticas que poderão fornecer indicações de atraso ou adiantamento. Essas previsões são de grande relevância para o planejamento de atividades de vários setores da economia, tais como agricultura e produção de energia hidrelétrica”, diz.

O que mais o impressionou no encontro foram os avanços nas previsões das semanas seguintes. Isso por que, de acordo com o pesquisador, há uma lacuna entre o conhecimento diário – conhecido como previsão do tempo, que estamos acostumados a ver na televisão todos os dias – e o dos próximos três a seis meses, a previsão sazonal.

 “A previsão climatológica de três meses ainda não é confiável. No entanto, em alguns anos esse tipo de previsão meteorológica vai ser muito melhor”, analisa Figueiredo.

Já a previsão intra-sazonal é a previsão das condições médias esperadas do clima para as próximas semanas. Ela preenche a lacuna entre a previsão de tempo e a previsão climática sazonal. De acordo com as informações apresentadas na Conferência Mundial do Clima, com os avanços científicos, já existem meios de fazer previsões intra-sazonais. “Embora não seja possível indicar exatamente qual será a temperatura ou o volume de chuva, através da produção de uma série de cenários distintos, é possível gerar previsões probabilísticas, fornecendo assim uma indicação se poderemos ter, nas próximas semanas, condições mais frias, mais quentes, mais ou menos chuvosas do que o normal”, vislumbra.

Fontes:

O que é meteorologia?